Primeiro bebé concebido com um óvulo amadurecido em laboratório
Já nasceu o primeiro bebé concebido com uma célula sexual feminina, um óvulo preservado e amadurecido fora do útero materno, em laboratório. A equipa canadiana que anunciou este nascimento, numa conferência sobre fertilidade em Lyon, França, diz que mais três bebés estão a caminho.
Esta conquista da investigação na área da fertilidade pode ajudar a evitar a síndrome da hiperestimulação, de que sofrem muitas mulheres que se submetem a tratamentos de fertilidade para estimular a ovulação difícil, que pode até ser mortal.
Mas ajuda essencialmente quem não consegue produzir óvulos, por incapacidade natural ou após quimioterapia, uma vez que permite que um óvulo doado seja criopreservado e amadurecido in vitro podendo, por fertilização in vitro, dar origem a uma gravidez mais tarde.
A equipa do Centro Reprodutivo McGill, em Montreal, Canadá, afirma que ainda não experimentou a técnica em casos de cancro. Os casos até agora conseguidos eram de pacientes com síndrome policística ovariana, uma doença em que os ovários se enchem de quistos impossibilitando a ovulação. Quatro em 20 mulheres conseguiram ficar grávidas após transferência embrionária para o útero.
“Conseguimos provar pela primeira vez que é possível e um dos casos resultou numa gravidez e num nascimento”, frisaram em declarações na BBC News.
Europa ruma ao espaço?!
A indústria aeroespacial europeia juntou-se para estudar a possibilidade, técnica e financeira, da Europa lançar uma missão tripulada ao espaço.
As conversações, que terão início este mês de Julho, têm como anfitriã a Agência Espacial Europeia, ESA e baseiam-se num estudo russo que conta com o apoio do Japão, potência espacial mundial forte, que desde sempre mostrou vontade de se aliar à velha Europa neste sonho comum: criar um veículo que se chamará Crew Space Transportation System.
O sistema seria uma espécie de alternativa europeia ao novo veíulo espacial Orion, que os Estados Unidos estão a desenvolver para substituir o actaul vaivém dentro de cerca de dez anos.
Os russos sugerem que se aposte numa tecnologia actualizada da que serve de apoio à construção dos velhos veículos Soiuz.
Precisamos de dois sistemas de transporte espacial”, defendeu, citado pela BBC News, Daniel Sacotte, director da ESA para os voos tripulados humanos. “Não podemos confiar em apenas um sistema”, acrescentou, referindo-se ao vaivém da NASA.
Entre os parceiros industriais interessados na matéria inclui-se a EADS-Astrium, casa-mãe do foguetão Ariane, o super-herói dos voos comerciais e responsável pela construção de um dos módulos da Estação Espacial internacional. E consta ainda a Thales Alenia Space. A Rússia avançou com a colaboração da RKK Energia, a construtora dos Soiuz. E a própria ESA anunciou já que contyribuirá com um financiamento de 18 milhões de euros.
Uma decisão final depende de uma reunião de ministros europeus sobre as questões do espaço, marcada para 2008.
Missão Atlantis concluída com sucesso.
Dois astronautas do vaivém Atlantis concluíram ontem, com sucesso, a quarta e última saída espacial da missão, informou a NASA (agência espacial norte-americana).
Patrick Forrester e Steven Swanson estiveram no espaço durante seis horas e 29 minutos e concluíram todas as tarefas previstas para a última saída.
Um dos trabalhos era libertar o mecanismo de rotação da nova antena solar, de 73 metros de envergadura, para que possa rodar sobre si mesma e captar o máximo de raios solares.
Esta antena, que produzirá 20 quilowatts de electricidade, é o principal elemento do novo acrescento da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), entregue na segunda-feira passada pelo Atlantis e colocado no mesmo dia na estrutura da estação.
Forrester e Swanson instalaram também um cabo informático no módulo Unity — primeiro elemento da ISS fabricado pelos Estados Unidos — e instalaram uma protecção contra os lixos orbitais no laboratório americano Destiny.
O vaivém, lançado da Florida no passado dia 8, acoplou à ISS dois dias mais tarde.
Segundo a NASA, os computadores centrais russos da ISS “voltaram a funcionar sem problemas”, depois de uma falha sem precedentes que durou 48 horas.
O centro de controlo russo da ISS em Moscovo pôs em funcionamento todos os sistemas da estação controlados por esses computadores, à excepção do gerador russo de oxigénio Elektron, que será accionado posteriormente.
Os directores de voo da ISS deverão testar hoje os motores orbitais da estação, que dependem dos computadores russos, na mesma altura em que fazem manobras para reduzir, ligeiramente, a altitude da ISS — actualmente a 350 quilómetros de distância da Terra. Estes motores servem para manter a orientação da ISS quando os giroscópios, controlados por um computador americano, estão saturados.
Células estaminais embrionárias sem recorrer a embriões
Diz-se que não se faz omeletes sem ovos, mas três artigos que vão ser publicados amanhã nas revistas “Cell Stem Cells” (na sua edição inaugural) e “Nature” acabam de tornar esta expressão obsoleta pelo menos no que respeita aos ratinhos e às chamadas células estaminais embrionárias (CEE).
E, pela mesma ocasião, talvez venham um dia a pôr um termo ao debate sobre a ética da utilização de embriões humanos naquilo que tem vindo a ser chamado “clonagem terapêutica”.
As CEE são células que, como o seu nome indica, estão presentes durante a fase embrionária da vida. Tanto nos ratinhos como nos humanos, são células “pluripotentes” — isto é, têm a capacidade única de dar origem a qualquer tecido do organismo.
As CEE têm, na opinião dos especialistas do mundo inteiro, grandes potencialidades terapêuticas, pois poderão permitir criar tecidos sãos para substituir tecidos doentes, com a garantia acrescida de que esses tecidos serão perfeitamente compatíveis com o doente que se pretende tratar. O método é simples: colhe-se uma célula cutânea a um doente, clona-se um embrião a partir dessa célula (com uma técnica como a que permitiu clonar a ovelha Dolly), extraem-se as CEE do embrião e gera-se com elas o que se quer: células beta do pâncreas para tratar a diabetes, células estaminais do sangue contra as leucemias, neurónios motores contra a doença de Parkinson…
Mas eis o problema: a obtenção de CEE passa necessariamente pela utilização de ovócitos, pela clonagem de embriões e a sua destruição — donde o rótulo de “clonagem terapêutica” dado a esta abordagem. E quem diz clonagem humana — mesmo que não se trate de fazer nascer bebés clonados — diz implicações éticas e debates intermináveis. Os resultados de hoje podem vir a resolver o impasse.
Reprogramar células adultas
No principal artigo, publicado na “Cell Stem Cells”, a equipa de Kathrin Plath, da Universidade da Califórnia, e colegas de Harvard, anunciam que conseguiram, através de manipulações genéticas, reprogramar células da pele de ratinhos adultos, obrigando-as a “recuar no tempo” até às origens para se tornarem em tudo semelhantes às CEE verdadeiras.
Já se sabia, desde Agosto do ano passado, que bastava activar quatro genes nas células da pele de ratinhos adultos para elas voltarem a ser pluripotentes (resultados aliás obtidos pelos autores de um dos artigos da Nature). E o que a equipa de Plath fez agora, com a ajuda de vírus que infectam as células de ratinho, foi activar esses quatro genes (chamados Oct4, Sox2, c-Myc e Klf4).
A dificuldade seguinte foi seleccionar apenas as células onde a activação dos genes se tinha verificado — cerca de uma em cada mil.
O passo seguinte consistiu numa bateria de testes que provou de forma convincente que as células reprogramadas conseguem dar origem a todas as células e tecidos de ratinho. Uma outra equipa relata na “Nature” que conseguiu mesmo fazer nascer ratinhos a partir do ADN das células reprogramadas.
Plath e os seus colegas estão a tentar recriar o fenómeno em células humanas — o que poderá demorar ainda uns anos.
06.06.2007 Ana Gerschenfeld